Meses após megaoperação, número de tiroteios na Penha continua igual

Seis meses depois da megaoperação policial no Rio de Janeiro, que terminou com 122 mortos, a falta de segurança continua a mesma, segundo pesquisa do Instituto Fogo Cruzado. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28). De acordo com o levantamento, foram registrados pelo menos 35 tiroteios no bairro da Penha, zona norte da capital fluminense, onde ocorreu a operação contra o Comando Vermelho. Desse total, 40% aconteceram durante operações policiais. Ao todo, 18 pessoas foram baleadas

SegurançaRádio Agência Nacionalem 28 de Abril, 2026 17h04m

Seis meses depois da megaoperação policial no Rio de Janeiro, que terminou com 122 mortos, a falta de segurança continua a mesma, segundo pesquisa do Instituto Fogo Cruzado. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28).

De acordo com o levantamento, foram registrados pelo menos 35 tiroteios no bairro da Penha, zona norte da capital fluminense, onde ocorreu a operação contra o Comando Vermelho. Desse total, 40% aconteceram durante operações policiais. Ao todo, 18 pessoas foram baleadas.

Nos seis meses anteriores à megaoperação, foram 37 tiroteios registrados, número praticamente igual.

O coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio, Carlos Nhanga, diz que o levantamento mostra a ineficiência desse tipo de operação, porque ataca a ponta da rede criminosa, mas não mexe na estrutura que a mantém funcionando.

"Não somente atacando a ponta, mas atacando essa ponta de uma mesma forma há quase três décadas. Tem pelo menos 30 anos que o Rio de Janeiro produz política de segurança de uma mesma maneira, baseada no confronto, baseada no conflito. Empurrando a população trabalhadora, criança, adolescente, até os próprios agentes de segurança, para a linha do tiro, sem resolver absolutamente nada."

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Carlos afirma que é preciso atacar a estrutura financeira das organizações criminosas.

"Nós não estamos falando mais apenas dos 'soldados do crime' que estão ali, sabe? Estamos falando de uma estrutura imensa, transnacional, que opera em vários países hoje em dia. Então, se não houver uma desarticulação financeira, uma desarticulação política, uma desarticulação que, de fato, mire na estrutura organizacional dessas redes criminosas, de nada vai adiantar uma operação com 100, com 200, com 300 mortos."

Nós procuramos o governo do Rio de Janeiro para uma posição sobre os números do levantamento, mas não recebemos uma resposta até o fechamento desta reportagem.  

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