Galípolo diz que suposta ligação entre servidores e Master abalou BC
O afastamento de dois servidores do Banco Central (BC) por suposta colaboração com o banqueiro Daniel Vorcaro e vazamento de informações sigilosas é um dos fatos mais graves da história da instituição. É o que disse o presidente do BC, Gabriel Galípo

O afastamento de dois servidores do Banco Central (BC) por suposta colaboração com o banqueiro Daniel Vorcaro e vazamento de informações sigilosas é um dos fatos mais graves da história da instituição. É o que disse o presidente do BC, Gabriel Galípolo, a senadores nesta terça-feira (19).
"Eu acho que é um dos fatos mais graves que já aconteceu na história do Banco Central, todo o corpo técnico do Banco Central, como eu já comentei, sente um efetivo luto com o que aconteceu. E, de novo, não cabe ao Banco Central julgar, vai ser a Justiça que vai determinar o que realmente ocorreu, mas os indícios em si já foram algo que foi muito grave e que causou uma grande sensibilização por parte de todos os servidores, eu inclusive".
Galípolo foi chamado à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e falou sobre o caso Master. Voltou a explicar como o esquema começou a ser descoberto no BC.
Em janeiro do ano passado, segundo ele, técnicos do Banco Central consideraram “pouco usual” que um banco com dificuldade de liquidez comece a formar e a vender uma carteira. A partir daí, foi constituído um grupo específico para acompanhar a situação.
"E aí você passa a desdobrar a investigação em cima de entender de quem você comprou esta carteira. Aí a partir de três meses, que é quando efetivamente o diretor de fiscalização fala: 'nós estamos encontrando dificuldades de ter a evidência de que aquela carteira realmente ocorreu, a partir de uma amostragem'. Lógico, você não encontrou, não quer dizer que é uma fraude, mas você não encontrou evidência que exclui a fraude".
Galípolo negou qualquer tentativa do BC de salvar o Master.
"O Banco Central jamais tentou viabilizar a venda, não há. Pelo contrário. O Banco Central está respondendo até agora ao Tribunal de Contas uma acusação de por não ter autorizado [a venda]".
E completou: o problema do Master não estava no passivo da instituição, mas nos recursos vindos do Fundo de Garantidor de Créditos (FGC). Ele ainda defendeu a autonomia do Banco Central e disse que a autoridade monetária não pode ser “palanque para a política”.
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